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Me formei e agora?!

PUBLICADO EM 11/07/2016

Seja na carreira acadêmica ou no mercado de trabalho, ter somente a graduação não é mais uma grande diferencial, em termos de concorrência. Com a popularização dos cursos superiores à distância e as expansões dos campi das universidades púbicas e privadas, a força de trabalho graduada aumentou e com ela a concorrência entre profissionais.

Atualmente, o Brasil tem 122.295 estudantes de pós-graduação, dos quais 76.323 são de mestrado acadêmico, 4.008 de mestrado profissional e 41.964 de doutorado. O levantamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes/MEC) mostra que o número ainda é pequeno, se comparado a países mais desenvolvidos, como a Alemanha, que possui uma taxa de 18,6 doutores a cada mil habitantes, mas refle os avanços dos últimos anos.

- A concorrência agora se dá em nível global. Então, quanto maior for a qualificação do profissional em sua área de trabalho, maiores serão as condições de empregabilidade e de valorização profissional e salarial que se abrirão à sua frente, dentro ou fora do País -, revela a professora e coordenadora do Curso de Mestrado em Letras da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missão (URI), Campus de FW, Maria Tereza Veloso.

Buscando a carreira acadêmica

A frederiquense Débora Cerutti Viegas, 23, formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria, Campus de FW, hoje estudante do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, aposta em um curso de Mestrado para alcançar seu objetivo profissional.

- Pretendo seguir carreira acadêmica, ser professora e contribuir no que eu puder na formação de novos profissionais -, afirma.

Após passar por uma seleção com quatro etapas bastantes disputadas entre candidatos de todo o país, Débora foi uma dos 20 selecionados que para o Programa que tem foco na pesquisa e docência.

- Vejo o mestrado como uma grande oportunidade para estudar aquilo que vimos de modo mais superficial na graduação, é onde aprendemos a pesquisar e temos contato com aquilo que de mais inovador e importante o campo está desenvolvendo -, ressalta a jovem.

Investimento que faz a diferença no currículo e também no bolso. Segundo o Instituto Brasileiro de Educação e Gestão (IBEG), trabalhadores com nível superior que tenham mestrado ou doutorado ganham, em média, 37,72% a mais do que aqueles que só fizeram graduação.

Saiba diferenciar 

LATO SENSU > “Sentido amplo” em latim, inclui programas de especialização para os que já têm diploma de graduação. O curso deve ter duração mínima de 360 horas e oferece um certificado de conclusão.

STRICTO SENSU > “Sentido específico” em latim, diz respeito aos programas de mestrado e doutorado que oferecem diploma de titulação ao estudante após a defesa de sua pesquisa para uma banca pública.

MBA >Do inglês Master Business Administration (ou “mestrado em administração de negócios”), o curso não faz parte do mestrado, como seu nome sugere, mas é uma pós-graduação lato sensu com temas ligados à área de administração de empresas.

MESTRADO PROFISSIONAL > Esse tipo de curso se inclui entre os de mestrado stricto sensu e promove a formação de profissionais que desempenham atividades técnico-científicas de alto nível em diferentes áreas do conhecimento.

DOUTORADO SANDUÍCHE > Programa que oferece bolsas de estudos para doutorandos brasileiros visando à realização de pesquisas em instituições internacionais.

A voz da experiência... 

Maria Tereza Veloso possui cursos de licenciatura em Estudos Sociais (FAFIUR/PUC-RS), Câmpus Uruguaiana, e de licenciatura em Letras com habilitações em Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhola, os dois primeiros na FAFISB (São Borja) e o último na URI, Câmpus de Santo Ângelo. Mestrado e Doutorado em Letras, na Área de Linguística Aplicada, na linha de pesquisa Discurso e Relações Sociais, na Universidade Católica de Pelotas(UCPel). Pós-Doutorado em Letras, na UFRGS. Professora da Rede Estadual de Ensino aposentada, já atuou profissionalmente em rádio e jornalismo impresso. Atualmente exerce a docência na URI/Frederico Westphalen, na licenciatura em Letras e no Mestrado em Letras, de que é coordenadora.

Fred Magazine: Qual a importância de uma pós na carreira de um profissional?

Maria Thereza Veloso: Em qualquer dos seus três níveis (Especialização, Mestrado e/ou Doutorado), um curso de pós-graduação é sempre muitíssimo importante, porque proporciona aprofundamento e atualização de conhecimentos na área profissional de quem o realiza. 

FM: Quais são os critérios que um estudante deve avaliar ao escolher um curso de pós-graduação?

MTV: Sabendo-se que a definição da profissão que se quer exercer ao longo da vida adulta se faz quando decidimos pelo curso de graduação escolhido, devem ser levados em conta principalmente os critérios conceituais, relacionados à confiabilidade e solidez da Instituição que  oferece o Curso de Pós-graduação; à funcionalidade e atualidade da proposta pedagógico-profissionalizante, observável nas disciplinas da base curricular; à qualificação profissional e à experiência dos docentes na respectiva área; ao número de egressos e a empregabilidade e ascensão profissional de cada um deles, por exemplo.

FM: Os cursos de pós são importantes para incrementar o currículo e os conhecimentos. Qual o impacto dessa crescente especialização das pessoas no mercado de trabalho?

MTV: O mercado de trabalho, em todas as áreas, vem exigindo cada mais dos profissionais, considerando-se que na atualidade a concorrência por vagas deixou de ser predominantemente localizada por região, em âmbito nacional. 

FM: Qual é o melhor momento para iniciar uma pós, logo que se termina a graduação ou, posteriormente, após algum tempo de experiência de mercado?

MTV: A escolha desse momento dependerá sempre de várias condicionantes, sejam determinadas em razão de compromissos pessoais, familiares e/ou até mesmo profissionais. Penso que um Curso de Pós-Graduação em nível de Especialização deveria ser feito como uma continuidade do curso de Graduação, sem espaço intervalar entre um e outro. Isso facilita a assimilação de novos conceitos, oportuniza a absorção de novas habilidades de leitura, pesquisa e manejo de práticas surgidas naturalmente, durante os diálogos e as interações presenciais na sala de aula, quer entre colegas e/ou destes com os professores permanentes dos cursos, ou professores convidados, vindos de outras Instituições.

FM: É preciso que as pós sejam feitas necessariamente na área de graduação do profissional?

MTV: É importante que tanto especializações, mestrados ou doutorados sejam feitos sempre na área da graduação universitária inicial. Essa coerência soma positivamente por ocasião das análises de currículo, seja para fins de concurso público, ou outra situação equivalente.